Gente e Gestão RH Sem categoria Porque a execução falha se a estratégia é bem definida – uma questão biológica

Porque a execução falha se a estratégia é bem definida – uma questão biológica

Você já percebeu como algumas pessoas tomam boas decisões sob pressão… enquanto outras, mesmo sabendo tudo, travam?

Não é falta de inteligência. Não é preguiça. E, na maioria das vezes, nem é falta de vontade. É o cérebro.

Existe uma diferença brutal entre entender algo e ter a habilidade para aplicar quando é necessário. Entre saber explicar uma ideia e conseguir usá-la quando vem a pressão, o tempo encurta e o risco aumenta. É como tentar correr para desligar a chave quando temos um curto circuito. O desespero nos trava.

Trazendo isso para o mundo corporativo, é preciso haver clareza na estratégia das empresas. Da mesma forma, comunicar bem a estratégia é importante, mas somente isso não garante sucesso na execução. Todos devem estar prontos no momento de tomar uma ação. Principalmente sob pressão.

Karen Martin, em seu livro “Clarity First” nos lembra que:

“A falta de clareza leva a trabalhos que não importam.”

Se você não entende a estratégia da sua empresa, provavelmente o que você está fazendo agora, não gera valor. E o mesmo acontece se você entende, mas não está preparado.

O problema é que a maioria das iniciativas de aprendizado nas empresas, inclusive o ritual de comunicação da estratégia, aposta tudo na explicação com bons slides, discursos emocionados, bons conceitos, figuras ilustres fazendo uma abertura magistral. Tudo faz sentido e todos concordam. E quase nada muda. E é aqui que entra a neurociência para explicar o porquê.

Nenhum aprendizado acontece de uma vez. Ele percorre um caminho físico dentro do cérebro. Começa consciente, pesado e frágil. Depois, com uso real, cria raízes e, só então, com prática contínua, vira automático.

Sem esse percurso, o conhecimento fica na superfície. Bonito, elegante… e inútil no momento de aplicar.

E a Karen, em seu livro, completa dizendo que:

“A ambiguidade gera ansiedade, enquanto a clareza cria confiança.”

Entende porque devemos mudar isso, e rápido?

Este artigo é uma viagem por dentro do cérebro humano, trazendo analogias com o mundo corporativo e o dia a dia, para entender como o aprendizado realmente se consolida. Porque tanta mudança morre antes de nascer e o que diferencia quem só entende de quem realmente faz. Não é somente sobre métodos. É sobre biologia.

Feita essa introdução, vou lhes contar uma estória …

Uma viagem pelo cérebro: como o aprendizado realmente acontece

Imagine que você acabou de aprender algo novo. Algo que muda a forma como você pensa, decide e age. Você entendeu, concordou, fez sentido. A cabeça balançou afirmativamente e você pensa que está ansioso para começar a aplicar tudo certo. E, no dia seguinte… nada mudou e você se sente travado. Não sabe por onde começar.

Você simplesmente não consegue colocar em prática dentro das rotinas do seu dia a dia. Começar a aplicar tudo aquilo se torna pesado, cansativo e você desiste. Volta a fazer tudo da forma como sempre fez. Vocês já ouviram a frase: “já era assim quando eu cheguei”? É somente uma desculpa pronta que substitui o “eu tentei mudar as coisas, mas não consegui e voltei a fazer como já era feito antes”.

Trazendo isso para a biologia, posso afirmar que isso não é falta de esforço. É o caminho neural que ainda não existe. E isso acontece porque temos estágios de aprendizado. Vamos a eles.

Estágio 1

Córtex pré-frontal

O primeiro estágio é o aprendizado consciente e deliberado. Ele acontece após um treinamento, uma reunião de direcionamento, após a leitura de um livro ou de um artigo.

No primeiro contato, o aprendizado vive no território do esforço. O cérebro aciona fortemente o córtex pré-frontal, a região responsável por planejamento, análise e tomada de decisão consciente. É aqui que tudo é pesado, lento e intencional. Cada passo precisa ser pensado. Cada ação exige atenção total.

É como sentar no banco do motorista pela primeira vez, aprender sobre uma nova metodologia, uma nova tecnologia ou como aprender a andar de bicicleta. Você sabe o que precisa fazer, mas o corpo ainda não sabe como fazer. Em resumo, conhecimento não é igual a compreensão.

Nesse estágio, os neurônios começam a se ativar juntos, mas as conexões são frágeis. As sinapses ainda são instáveis, como trilhas recém-abertas no meio da floresta. Você até consegue seguir por ela, mas qualquer distração faz você se perder. Nesse estágio aprender gera cansaço.

Quem já teve a oportunidade de ir trabalhar ou estudar em um país de idioma diferente sabe do que estamos falando. Nas primeiras semanas você acaba esgotado. A cabeça dói. Parece que se passaram meses. E isso é esperado.

Contudo você se esforça, aprofunda os estudos, melhora a compreensão, coloca em prática, erra, tenta de novo, melhora mais, aprende mais, corrige e o estágio seguinte acontece.

Durante o estágio 1 a aplicação de uma mentoria ajuda muito e acelera o aprendizado. Ela ajuda as pessoas a se manterem nos trilhos, já que tem outra pessoa com muito mais experiência acompanhando e suportando. E isso evita que a pessoa, inconscientemente, escolha os caminhos antigos.

Estágio 2

Hipocampo

A consolidação acontece através da repetição e com a experiência. Com o uso contínuo, algo muda silenciosamente.

O hipocampo começa a conectar o novo aprendizado com experiências anteriores, dando contexto e significado. Ao mesmo tempo, os gânglios da base entram em cena, reconhecendo padrões e reduzindo a necessidade de decisão consciente a cada passo. Tudo começa a ganhar uma certa fluidez.

É aqui que o caminho neural começa a ganhar corpo e a cada repetição:

• as sinapses ficam mais eficientes

• a comunicação entre os neurônios se fortalece

• o cérebro passa a confiar naquele trajeto

E com isso, a trilha vira estrada de terra. Você ainda precisa prestar atenção, mas já corrige erros mais rápido. Já percebe antes. Já não se sente tão perdido. O dirigir começa a fluir. Você já quase não precisa das rodinhas na bicicleta. Já domina as etapas da nova metodologia, já usa a nova tecnologia tendo apenas algumas dúvidas sobre funções mais avançadas. E decidir começa a pesar menos.

O cérebro está aprendendo o que vale a pena manter armazenado e disponível para o uso. E todo esse esforço traz resultados que chegam com o próximo estágio.

Quem contrata muitos profissionais logo percebe que profissionais com muita experiência práticas, geralmente, excedem as expectativas, enquanto profissionais com muitas certificações e pouca experiência costuma gerar grandes decepções.

Estágio 3

Cerebelo

O estágio 3 traz a automatização e a fluidez do comportamento. Depois de prática suficiente, erros, aprendizados (conectando com as nossas analogias, são marchas arranhando menos e menos tombos da bicicleta) o cérebro faz o que ele faz de melhor: otimiza.

O cerebelo, junto com os gânglios da base, assume grande parte do controle. Essa região é especializada em ritmo, coordenação, precisão e execução automática. O pensamento consciente quase não participa mais.

Agora, o caminho neural está asfaltado. A informação flui rápido. A resposta vem antes da reflexão verbal. E a ação acontece sem esforço aparente.

Você dirige e conversa. Pedala mais rápido e até passa fácil por obstáculos antes intransponíveis. Começa a ensinar sobre aquela nova metodologia ou tecnologia ao invés de somente utilizá-la. Reage bem sob pressão. Toma decisões complexas sem precisar pensar na teoria. E isso não é mágica. É a biologia em pleno funcionamento.

Contudo existe uma armadilha aqui nesse estágio. Um detalhe que o cérebro não negocia e que é um grande problema: se o caminho não for usado, ele enfraquece. Assim como uma estrada pouco usada vai ganhando vegetação e se deteriorando. O asfalto vai se esburacando e dando lugar à antiga estrada de terra e, logo, a trilha volta a tomar conta.

E isso acontece porque o cérebro poda o que não serve mais. Assim como uma é strada sem tráfego vira lembrança.

E é aqui que tudo costuma se perder. Ou por você não chegar nesse estágio ou por chegar e não continuar. O nosso cérebro tem uma tendência enorme a voltar às raizes. Aos velhos costumes. Àquilo que ele domina. A mudança é algo difícil para nós. E não acontece porque o cérebro quer, mas, simplesmente porque é mais fácil.

E esse estágio é muito bem ilustrado em um vídeo do canal Smart Every Day: A bicicleta invertida. O protagonista que havia, a muito custo, conseguido dominar a nova bicicleta, em um estalo, volta a conseguir usar a bicicleta normal.

E é por isso que o experimento da bicicleta invertida é tão desconcertante.

Se você ainda não assistiu, recomendo que o faça antes de continuar a leitura.

O que o experimento prova para nós é que entender não resolve. Explicar não adianta. Só a prática constante reconstrói o caminho neural.

Os circuitos antigos estão profundos demais. Foram reforçados por anos. O novo padrão precisa disputar espaço, erro após erro, até se tornar mais forte que o antigo.

Aprender, no fim das contas, é reprogramar o próprio cérebro. Ou como virou moda dizer: é desaprender.

A mensagem que fica no fundo da cabeça é que conhecimento que não é usado não floresce. Hábito que não é praticado não cria raizes. Em resumo, mudança que não é vivida não se sustenta.

E é assim que a estratégia morre na apresentação e os treinamentos por si só não geram resultados. O cérebro não acredita em discurso. Ele acredita em repetição. E resultado é o que, de fato, valida a hipótese. 

É nesse momento que reforçar as mentorias associadas com treinamentos traz ganhos enormes. Mantém os profissionais nos trilhos e gera mais conhecimento a eles.

E o que isso muda, de verdade, no dia a dia das empresas?

Vamos sair da abstração e nos colocar dentro do escritório, da reunião, do e-mail, da decisão tomada.

Quando o aprendizado fica só no nível consciente, temos o clássico cenário:

• A pessoa sabe o que deveria fazer

• Concorda com a lógica

• Até explica bem para os outros

Mas, na prática:

• Sob pressão zela e volta ao comportamento antigo

• Se o tempo aperta, decide no impulso

• Mudou o contexto, ela se esquece de tudo

Não é incoerência. É o cérebro operando nos caminhos antigos, mais profundos, mais rápidos e mais enraizados. É é por isso que somente treinamento e comunicação rasa não vai mudar a sua empresa.

Em momentos de estresse, urgência ou conflito, o cérebro não acessa o que é recente e frágil. Ele corre para o que já está automatizado. Isso é um mecanismo de segurança. 

Agora vamos ver o que acontece quando o aprendizado começa a se enraizar. Vamos pensar em alguém que:

– Praticou novas formas de decidir repetidas vezes

– Usou em situações reais, não só em exercícios

– Errou, ajustou, tentou de novo

– Teve acesso a uma vasta biblioteca de aprendizados, benchmarks

– Trocou experiência com profissionais mais experientes

Essa pessoa:

• Percebe problemas antes

• Faz perguntas melhores

• Ajusta o rumo sem drama

• Reage com mais calma em cenários complexos

E ela não está somente seguindo um método. Ela está usando um caminho neural mais bem treinado. E quando vira automático podemos afirma que nele mora a diferença entre:

• Saber o que fazer

• E fazer sem precisar lembrar que sabe

É quando:

• Reuniões ficam mais objetivas sem ninguém combinar

• Decisões saem mais rápidas sem parecer impulsivas

• Problemas são tratados cedo, antes de virarem incêndio

Não tem ritual visível. Não tem discurso bonito. Tem fluidez. E fluidez só aparece quando o cérebro já aprendeu.

Para finalizar

Você pode ensinar alguém, pode convencer e até pode inspirar, mas só a prática constrói estradas no cérebro. Sem uso, o aprendizado evapora. Com uso contínuo, ele vira parte da pessoa.

No fim, o cérebro não pergunta se o conceito é bonito. Ele só pergunta uma coisa: isso está sendo usado? Tenho domínio sobre ele?

Assim a pessoa deixa o “fazer” e passa a “ser”. E isso é a virada de chave real. Podemos agora abrir as portas, pois os resultados virão.

Chegamos ao final de mais um artigo. Se você pretende aplicar tudo isso na prática dentro da sua empresa, de forma consistente, conte com a Gente. 

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